Sabemos
as memórias que restam
do tempo em que éramos pequenos
quando brincávamos noites e dias
nas ruas com vista para a liberdade
Recordamos
os carinhos que não confessámos
segredos que só os cantos da terra
os muros e o vento sabem
que hão-de morrer connosco
Sorrimos
ao contar as vezes que apostámos cem escudos
por ousar subir a uma árvore
de peito feito, coragem nos braços
e rir estatelados no chão
com o corpo desfeito em peças
Orgulhamo-nos
de ser a geração que viveu na rua
que rompeu os calções, sujou o corpo de lama
fez pão das pedras
mas que de tanta inocência!...
guardou as melhores memórias da vida.